Fim do tratamento

Apoio para cuidadores e entes queridos

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Pode chegar o momento em que a equipa de profissionais de saúde do seu ente querido considere que já não existem quaisquer terapias que ofereçam mais benefícios do que riscos, ou o seu ente querido pode ter falecido.

Estas informações foram preparadas para lhe fornecer alguma orientação durante o luto e alguns conselhos para estes momentos difíceis e complicados. No entanto, compreendemos que as emoções e questões práticas com que pode deparar-se são complexas. Como tal, as informações aqui disponibilizadas são apenas um ponto de partida. Adicionalmente, também assinalámos outros grupos de apoio para que possa ter acesso a mais ajuda, orientação e aconselhamento quando necessário.

Nem todos os conselhos apresentados a seguir serão aplicáveis a si, mas esperamos que possam fornecer alguma orientação para o ajudar a obter qualquer apoio de que necessite.


Sofrimento e luto

O luto pode ser uma experiência solitária que, para algumas pessoas, começa no momento em que descobrem que um ente querido foi diagnosticado com cancro. Para outras pessoas, o luto vem mais tarde. É frequente tratar-se de um sentimento confuso e arrasador.

Algumas pessoas acreditam que existem fases específicas no processo de luto. Estas fases são resumidas a seguir. No entanto, é importante relembrar que todas as pessoas são diferentes e que algumas podem não passar por todas estas fases, podem vivenciá-las por uma ordem diferente ou passar por elas várias vezes. De qualquer maneira, se está a ter dificuldades em lidar com o sentimento de luto e sofrimento, contacte um ente querido ou um profissional para pedir ajuda e apoio.

As cinco fases do processo de luto1

Nesta fase, as pessoas podem sentir-se chocadas, desorientadas, arrasadas, ou como se o mundo não fizesse sentido. Estes sentimentos funcionam como um mecanismo de defesa ou uma forma natural de tentar lidar apenas com aquilo que consegue aguentar de cada vez. Gradualmente, os sentimentos que tem tentado evitar, começam a aparecer.

As emoções e a dor que pode sentir durante esta altura de luto podem surgir sob a forma de raiva, após os sentimentos de negação. Pode reparar que fica chateado com outras pessoas ou situações, ou mesmo com aspetos não relacionados com o trauma por que está a passar. Tente ser paciente consigo próprio; a raiva é apenas mais uma forma de mostrar que se preocupa e que sente uma perda.

Algumas pessoas tentam fazer negociações, seja com Deus, outra entidade superior, ou até consigo próprias. Pode ter pensamentos como "Nunca mais me zangarei com o meu ente querido se o deixares viver" ou "Se tivéssemos agido de forma diferente...". Pensamentos como estes podem levar a que as pessoas comecem a sentir-se culpadas, mas é importante relembrar que as situações que levam ao luto estão, normalmente, fora do seu controlo e não são culpa sua.

Nesta fase, muitas pessoas consideram que o luto entra na sua vida a um nível mais pessoal e profundo. Pode sentir que está completamente perdido e querer afastar-se da sua vida e do mundo à sua volta. A depressão provocada pelo luto não é necessariamente um sinal de doença mental. No entanto, se achar necessário, contacte um médico ou um psicólogo.

Algumas pessoas acreditam que esta fase se trata de sentir que está "tudo bem". No entanto, não é esperado que se sinta dessa forma depois da perda de um ente querido. A aceitação trata-se de reconhecer que o seu ente querido faleceu e aceitar a sua nova realidade sem essa pessoa. A aceitação pode ser difícil, pois pode querer continuar a viver da mesma forma que fazia antes de o seu ente querido falecer. No entanto, a maioria das pessoas começa gradualmente a ajustar ou alterar as suas rotinas à medida que se torna mais familiarizada com a sua nova realidade.

Cuidar de si

  • Durante o período de luto, é importante que não se esqueça de cuidar de si. Tente garantir que está a fazer refeições regulares, a praticar exercício e a descansar sempre que necessário
  • Seja paciente consigo próprio. Uns dias serão melhores do que outros, mas demorará algum tempo até aprender a lidar com a sua perda
  • Procure ajuda se precisar. Podem existir alguns grupos de apoio locais ou serviços específicos para lidar com situações de luto que possa contactar
  • Não tente esconder os seus sentimentos, sejam eles de felicidade, tristeza, contemplação, raiva ou choro compulsivo. Reconhecer e expressar os seus sentimentos é uma forma de libertação importante quando está a lidar com situações de ansiedade ou trauma emocional

A sua rede de apoio

Durante períodos como este, pode sentir que quer fechar-se ou isolar-se do mundo. Algumas pessoas agem desta forma porque se sentem deprimidas e sozinhas, outras porque têm receio de serem um fardo para alguém.

Apesar de isto parecer extremamente tentador, é mais importante do que nunca garantir que tem a sua rede de apoio à sua volta. O apoio dos amigos, familiares e profissionais de saúde pode aliviar alguns dos encargos diários para ajudá-lo a focar-se mais nos seus sentimentos e no que é importante para si. Também podem ajudá-lo com questões práticas mais difíceis como, por exemplo, os preparativos fúnebres, etc.

As pessoas também podem ser capazes de ajudar com tarefas práticas como cozinhar, cuidar das crianças, ajudar nas limpezas ou estarem presentes quando precisar de chorar ou de um abraço. Talvez até um médico ou psicólogo o possa ajudar, ou a equipa de profissionais de saúde do seu ente querido pode já ter tentado contactá-lo para oferecer alguma ajuda ou aconselhamento.

Não se esqueça: as pessoas vão querer ajudá-lo; por isso, quando sentir que precisa, pense em aceitar as suas ofertas ou em pedir ajuda. Também não há qualquer problema em dizer às pessoas que precisa de espaço durante algum tempo. Acima de tudo, não se esqueça de ser sincero com elas e consigo.    


Lidar com as questões práticas difíceis associadas à perda

Juntamente com o trauma emocional de perder alguém próximo, podem existir problemas práticos que necessitam da sua atenção. Gerir estas questões e tirar tempo para tomar conta de si exige um equilíbrio cuidadoso. Por este motivo, reunimos algumas sugestões para o ajudar:

Funerais e serviços fúnebres

  • Para muitas pessoas, esta pode ser a parte mais difícil de perder alguém, pois pode parecer uma experiência muito final e solitária. Tente encarar o processo como uma forma de celebrar o seu ente querido, a sua vida e o amor que partilhou consigo e com os amigos e familiares
  • Os prestadores de serviços fúnebres ou os agentes funerários estão disponíveis para apoiá-lo durante este momento difícil. Eles sabem, tendo em conta a sua experiência com outros casos, o quão difícil pode ser a despedida de alguém próximo. Se tiver de tratar de quaisquer aspetos relacionados com o funeral ou a cerimónia fúnebre, estes ajudarão a orientá-lo relativamente ao que é necessário fazer e que decisões deve tomar
  • Aceite ajuda quando lha oferecerem, pois até a simples companhia de um amigo ou familiar quando for falar com o agente funerário ou quando for registar o óbito na autarquia local será um meio de apoio e terá assim alguém com quem partilhar ideias se estiver com dúvidas
  • Se for religioso, fale com o seu líder espiritual, não só sobre quaisquer detalhes do funeral ou do serviço fúnebre, mas também sobre aconselhamento e apoio emocional ou espiritual
  • Um funeral ou cerimónia é o momento ideal para reunir o maior número de memórias possível do seu ente querido. Pense em pedir às pessoas para escreverem uma memória especial do seu ente querido num livro, ou para levarem uma fotografia ou outra lembrança para recordar mais tarde

Licença de dispensa do trabalho e por motivos humanitários

  • Se estiver a trabalhar, informe o seu empregador da sua perda o mais rapidamente possível
    • No Reino Unido, não há qualquer obrigação legal de um empregador oferecer licença por motivos humanitários, remunerada ou não, a seguir a um luto; no entanto, a maioria dos empregadores estipula a sua atribuição no contrato de trabalho ou autoriza a ausência mediante os seus próprios critérios
    • O seu empregador deve dizer-lhe quanto tempo pode estar afastado do trabalho e se a sua ausência será remunerada ou não durante este período
    • Adicionalmente, o seu empregador pode também mencionar o direito a "ausência relacionada com pessoas dependentes" não remunerada. Uma pessoa dependente é alguém que depende de si para os seus cuidados, para lidar com uma emergência (incluindo a morte de uma pessoa dependente). No entanto, deve ter em conta que este requisito legal abrange apenas o tempo de lidar com a emergência e não o tempo posterior para lidar com o luto2; tal teria de ser tratado com o seu empregador como uma licença por motivos humanitários
  • Se for trabalhador por conta própria, infelizmente, não existem quaisquer direitos legais relativamente a licença, mas deve informar rapidamente os seus clientes da situação que está a enfrentar
    • Se estiver preocupado relativamente ao impacto que isto possa ter nas suas finanças, contacte o seu médico, instituição de caridade local ou website governamental para verificar se lhe podem fornecer alguma informação sobre apoio ao rendimento ou outros benefícios a que possa ter direito durante este período

Relembrar o seu ente querido

Pode querer organizar algumas atividades de homenagem para o ajudar, assim como aos seus amigos e familiares, a relembrar o seu ente querido. Resumimos algumas ideias a seguir:

  • Crie uma caixa de memórias e encha-a de lembranças, fotografias e histórias sobre momentos especiais
  • Contacte amigos e familiares (mesmo os que não sejam muito próximos) e veja se estes podem partilhar ainda mais histórias e memórias consigo
  • Planeie um evento ou uma viagem que lhe traga memórias especiais sobre o seu ente querido; aproveite esse tempo para pensar em momentos felizes que tenham passado juntos
  • Encontre um local especial onde possa prestar homenagem ao seu ente querido; este local não tem de ser obrigatoriamente uma sepultura, podendo ser uma placa, um banco ou até um lugar ou árvore especial. O objetivo é ser um local significativo (consulte a autarquia local com antecedência relativamente à instalação de placas ou bancos)

  1. Kessler D. The Five Stages of Grief. Available from: https://grief.com/the-five-stages-of-grief/. Last accessed August 2019.
  2. Employment Right Act 1996, Part VI. Section 57A. Available from: http://www.legislation.gov.uk/ukpga/1996/18/section/57A. Last accessed August 2019.