Comunidade Younity

Como lidar com náuseas e vómitos quando se tem cancro do pulmão

Escrito por Nicole Erickson M.Sc, Nutricionista Certificada

#

Que alimentos ajudam a lidar com náuseas e vómitos

Embora as provas científicas para intervenções dietéticas sejam escassas, os especialistas concordam com as seguintes estratégias dietéticas práticas para minimizar o impacto de náuseas e vómitos:

  • Altere as escolhas alimentares para promover a ingestão adequada de líquidos e de nutrientes. Líquidos transparentes como sumo de maçã ou arando, caldos (pouco sal) e infusões como camomila ou chá de gengibre são recomendados. Nota: Os vómitos podem causar desidratação. Caso tenha vómitos persistentes ou não consiga ingerir líquidos, entre em contacto com a sua equipa de cuidados de saúde.
  • Em geral, evite alimentos que parecem piorar as suas náuseas e/ou vontade de vomitar – tente manter um diário para ver se existe alguma ligação entre o que come, quando come, o que fez depois de comer (por exemplo, andar, descansar, deitar-se, etc.), e como se sente depois.
    • É melhor evitar alimentos ricos em gordura ou óleo, picantes, substanciais e salgados uma vez que são ativadores comuns.
  • Os alimentos com tendência para tolerância mais elevada incluem:
    • Alimentos suaves, como papas de aveia, arroz simples, massas ou batatas cozidas.
    • Bolachas ou torradas simples.
    • Fontes de proteínas com baixo teor de gordura, como frango sem pele, peru, ovos e tofu.
    • Bananas, papa de maçã e frutos suaves muitas vezes são bem tolerados.
    • Chupar rebuçados e mastigar gomas ou pastilha elástica pode ajudar a reduzir as náuseas. Rebuçados de gengibre, menta ou limão podem ajudar a eliminar sabores desagradáveis na sua boca.
  • Refeições mais pequenas e frequentes normalmente são mais toleradas (as náuseas ocorrem com mais frequência com o estômago vazio).
  • Peça mais informações sobre medicamentos contra o enjoo (por vezes chamados de antieméticos) ao seu médico ou enfermeiro. Estes medicamentos podem ajudar na redução da vontade de vomitar e da sensação de náusea. Existem vários tipos diferentes por isso consulte o seu médico ou enfermeiro para encontrar o tipo adequado para si.
    • Se lhe for prescrito um antiemético, tente programar a dose de modo a tomá-lo antes das refeições e a que o efeito esteja presente durante e após as mesmas.
  • Evite comida aromática e passar tempo na ou perto da cozinha onde a comida é preparada. Tente comer alimentos suaves em locais bem ventilados. Peça aos seus familiares e amigos que evitem o uso de perfumes, produtos de limpeza com cheiro forte e ambientadores.
  • Os alimentos e bebidas servidos à temperatura ambiente tendem a ser mais fáceis de tolerar. Deixe os alimentos e bebidas quentes arrefecer e os alimentos e bebidas frios aquecer antes de os ingerir. Também pode adicionar gelo a alimentos e bebidas quentes para acelerar o processo, ou colocar alimentos quentes no congelador durante 5 a 10 minutos para que possam arrefecer rapidamente.
  • Evite roupa apertada à volta do pescoço e da cintura.
  • Mantenha-se sentado durante pelo menos 30 a 60 minutos após as refeições.
  • Evite comer os seus alimentos preferidos quando estiver com risco acrescido de náuseas e vómitos. Embora possa parecer um contrassenso, isto irá fazer com que não desenvolva uma aversão a estes alimentos.
  • Beba com uma palhinha para que os sabores e odores não provoquem náuseas.
  • Verificou-se que o gengibre alivia as náuseas em algumas situações (enjoos marítimos, enjoos matinais graves em mulheres grávidas). Experimento rebuçados de gengibre, chá de gengibre ou colocar raízes de gengibre em água ou caldos. Tenha em conta que embora a utilização do gengibre pareça ser segura, existem poucas provas científicas da sua eficácia na redução das náuseas e vómitos, pelo que não pode ser recomendado como tratamento definitivo para lidar com vómitos relacionados com o cancro.

  1. Capra S et al. Nutrition 2001; 17(9): 769-772. 
  2. Tanaka N et al. Yonago Acta Med 2018; 61(4): 204-212. 
  3. Plotnikoff GA. Glob Adv Health Med 2014; 3(6): 56-72. 
  4. Dias RV, et al. Nutr Clin Pract 2017; 32(1): 122-129.
  5. Heber D, Li Z. Med Clin North Am 2016; 100(6): 1329-1340.